Canepa Flash nº6: COPOM, a hora de desacelerar para 0,25% e os desafios de Joaquim Levy, o equilibrista de pratos.

Canepa Flash nº6: COPOM, a hora de desacelerar para 0,25% e os desafios de Joaquim Levy, o equilibrista de pratos.


Às vésperas do COPOM, apesar das declarações recentes de Alexandre Tombini, do tipo “O BC está vigilante e continuará vigilante”, acreditamos que chegou a hora de o Banco Central desacelerar (para 0,25%) o ritmo de elevação da taxa SELIC e interromper o processo de aperto, nesse momento, no patamar de 13% ao ano.

Economia está longe de ser uma ciência exata e sempre os formuladores de políticas se defrontarão com desafios. O mesmo bom remédio, às vezes, não tem o mesmo efeito em pacientes diferentes. Por exemplo, olhando o campo macroeconômico, o que seria o Brasil de hoje?

  • – COPOM, a hora de desacelerar para 0,25% e encerrar o ciclo – O trabalho já foi feito, depois da interrupção indevida durante o ano do processo de elevação de juros em 2014.  O empirismo mal-sucedido, iniciado em agosto de 2011, de tentar impor, de forma voluntariosa, um novo nível de taxa de juros real no Brasil, já está corrigido.  Já estamos com uma taxa de juros ex-ante (swap pre-DI de 1 ano versus inflação projetada de doze meses do FOCUS) em 7% ao ano (!!!). No auge do “experimento do BC” em 2011/12, chegamos a uma taxa de juros real ex-ante de 1,4% a.a. Além disso, no Relatório de Inflação, no cenário de referência, o IPCA projetado para 2016 já se encontra em 4,9% anuais. Adicionalmente, por mais que o BC não admita, o risco de valorização excessiva da taxa de câmbio, a cada ponto juro mais alto, não deve ser desprezado.
  • – Joaquim Levy e o desafio de resolver, ao mesmo tempo, o grande desequilíbrio econômico interno (inflação alta e crescimento baixo) e externo (alto déficit em transações correntes) do país: serão necessárias escolhas de política econômica, em um quadro macroeconômico complicado e nada trivial. A aplicação pura do receituário ortodoxo tradicional pode ser condição necessária, mas não suficiente, para tirar o país da atual situação.
  • – O que diferencia esse momento das outras crises é o nível baixíssimo de confiança do consumidor e da indústria como ponto de partida. Isso nos faz crer que a recuperação cíclica da economia brasileira deve demorar mais do que o habitual, mesmo com as políticas sendo implementadas na direção correta.
  • – Termos de troca internacionais muito desfavoráveis e risco iminente de contração de liquidez mundial – A combinação da queda forte do preço das commodities, a falta de expectativa de recuperação da economia mundial e a iminência de elevação de taxa de juros nos EUA não oferece, em termos de nossa posição externa, um futuro próximo auspicioso.  Fez até sentido o movimento do BC em ofertar swaps cambiais em um momento em que a inflação parecia partir para o descontrole e o mercado buscava proteção – economia um pouco mais aquecida e sem a âncora fiscal. Mas fica a pergunta para o momento atual: Interessa, em termos macroeconômicos, um Real mais apreciado nesse momento? A resposta é não.
  • – Não se trata da tola e anacrônica discussão entre “desenvolvimentismo” x “monetarismo”. Evidentemente, é necessário um conjunto de políticas de austeridade nesse momento.  Mas se o Governo “errar na mão” na intensidade (sem a válvula de escape do câmbio), em um ambiente atual de frágil confiança, a economia pode “patinar” durante muito tempo, inclusive criando problemas para a arrecadação e para o próprio ajuste fiscal.
  • Recomendação: Fiscal de curto prazo forte + Interrupção da elevação da Taxa SELIC (após mais uma alta de 0,25% na próxima reunião do COPOM) + Interrupção na rolagem dos swaps atuais + Início de programa de Swap Cambial Reverso + Sinalização de política econômica sustentável de longo prazo (corte de despesas correntes com redução de impostos).

 

Para ler o relatório completo, clique aqui.

 

Um abraço,

 

Alexandre Póvoa