Canepa Flash nº4: Quanto vale o Ibovespa – Ortodoxia (vigiada ou abafada?); o risco do racionamento.

Canepa Flash nº4: Quanto vale o Ibovespa – Ortodoxia (vigiada ou abafada?); o risco do racionamento.


Caros,

 

A indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda foi uma grande e grata surpresa. Porém, resta a dúvida do mercado de como será a convivência de um “ortodoxo” declarado com as forças ditas desenvolvimentistas que apoiaram a Presidente Dilma em sua reeleição. O objetivo do estudo é mostrar, do ponto de vista top down, o potencial de alta/queda do Ibovespa de acordo com o nível de ortodoxia e reformas a ser implementado, a partir do respectivo impacto em variáveis fundamentais para valuation, como crescimento projetado e taxa de desconto.

 

Consideramos que o pior cenário considerado pelo mercado no segundo mandato da Presidente Dilma está afastado, pelo menos por ora: a continuidade do mesmo padrão de políticas fiscal e monetária, que levou o Governo a abandonar metas da LDO e a assistir a uma inflação (IPCA) atingir patamar muito próximo ao teto da meta em 2014.

 

Uma grande dúvida ainda não esclarecida é a condução da gestão das estatais daqui por diante. Cite-se um exemplo prático que, parece que o mercado não está se atentando. Os últimos dois presidentes do Conselho de Administração da Petrobrás foram, respectivamente, Dilma Rousseff (então Ministra de Minas e Energia) e depois Guido Mantega (Ministro da Fazenda). Quem será o próximo Presidente do Conselho de Administração da empresa? Será Joaquim Levy, o novo Ministro da Fazenda, o escolhido, o que poderia significar uma Petrobras (e por similitude as outras estatais) muito mais “pró-mercado”?  E se Dilma decidir “equilibrar” o jogo indicando alguém mais alinhado à politica atual da empresa?

 

Por outro lado, é difícil crer que a ortodoxia com a adoção de medidas amargas necessárias terá trânsito livre no segundo mandato de Dilma Rousseff. Portanto, não é realista projetar um cenário de reformas profundas, onde a recuperação inicial da confiança do mercado seria mais rápida (independente do acerto ou não dos investidores nessa interpretação). Portanto, esse cenário altamente otimista também pode ser descartado.

 

Portanto, nos restam dois cenários reais para análise: O primeiro cenário seria de algum grau de ortodoxia e reformas sendo implementadas, mesmo com restrições e dificuldades políticas, o que reduziria as chances da perda do grau de investimento pelo Brasil; já o segundo cenário contempla a ortodoxia e reformas sendo inteiramente vencidas pela oposição dita desenvolvimentista, com consequências nefastas aos preços de mercado.

 

Além disso, o mercado parece ignorar completamente os riscos de um racionamento de energia a partir do terceiro trimestre de 2015.

 

Quanto valeria o Ibovespa em cada uma dessas situações ? LEIA AQUI O RELATÓRIO COMPLETO

 

Abraços,

 

Alexandre Póvoa