CANEPA E BANCO FIBRA SE APOIAM EM JURO REAL DE 7% PARA JUSTIFICAR ALTA DE 0,25PP DA SELIC (AE NEWS – 27/04/2015)

CANEPA E BANCO FIBRA SE APOIAM EM JURO REAL DE 7% PARA JUSTIFICAR ALTA DE 0,25PP DA SELIC (AE NEWS – 27/04/2015)


São Paulo, 27/04/2015 – É chegada a hora de o Comitê de Política Monetária (Copom) desacelerar para 0,25 ponto porcentual o ritmo de elevação da taxa de juro de referência da economia e encerrar o ciclo de alta em 13% ao ano. A avaliação é do economista e sócio da Canepa Asset Brasil, Alexandre Póvoa. Em relatório enviado hoje a seus clientes, Póvoa pondera que depois da interrupção indevida do processo de elevação de juros, em 2014, o trabalho já foi feito.

“O empirismo malsucedido, iniciado em agosto de 2011, de tentar impor, de forma voluntariosa, um novo nível de taxa de juros real no Brasil, já está corrigido”, afirma o diretor da Canepa. Ele já trabalha com uma taxa de juro ex-ante – swap pré-DI de 1 ano versus inflação projetada para doze meses na Pesquisa Focus – em 7% ao ano. “No auge do experimento do BC, em 2011 e 2012, chegamos a uma taxa de juros real ex-ante de 1,4% ao ano”, lembra o economista.

Além disso, de acordo com ele, no Relatório Trimestral de Inflação, pelo cenário de referência, que mantêm estáveis as taxas de juros e câmbio, a inflação projetada para 2016 com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já se encontra em 4,9% anuais. “Adicionalmente, por mais que o BC não admita, o risco de valorização excessiva da taxa de câmbio, a cada ponto de juro mais alto, não deve ser desprezado”, alerta Póvoa.

Por conta disso, segundo ele, é que, apesar das declarações do banqueiro central, Alexandre Tombini, de que “o BC está e continuará vigilante”, chegou a hora de o Copom desacelerar para 0,25 pp o ritmo de aumento do juro básico e interromper o processo de aperto no patamar de 13% ao ano. “A economia está longe de ser uma ciência exata e sempre os formuladores de políticas se defrontarão com desafios. O mesmo bom remédio, às vezes, não tem o mesmo efeito em pacientes diferentes. Por exemplo, olhando para o campo macroeconômico, o que seria bom para o Brasil hoje?”, questiona Póvoa.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, recorre ao mesmo argumento de Póvoa para justificar a sua crença de que o Copom deveria reduzir para 0,25 pp o ritmo de elevação da Selic na reunião do colegiado desta semana. Para ele, nem é preciso dizer que existem bons argumentos tanto do lado dos que defendem a manutenção do ritmo de alta em 0,50 pp quanto dos que sugerem a desaceleração.

“A decisão não será trivial”, reconhece Oliveira. Afinal, diz ele a seus clientes, “por um lado a fraquíssima atividade econômica sugere que devemos ver moderada desaceleração no ritmo de aumento da inflação dos preços livres nos próximos trimestres. Por outro, as expectativas para a inflação em 2016 estão distantes do centro da meta, que é de 4,5%”.

Nas últimas semanas, continua o economista do Fibra, o Copom reforçou seu compromisso em perseguir o centro da meta para a inflação em 2016 através de declarações públicas de seus membros. “Apesar de reconhecer o mais duro da comunicação recente, acreditamos que desde a última reunião do comitê o balanço de riscos tornou-se mais favorável ao cenário de convergência da inflação ao centro da meta em 2016, justificando aumento de 0,25 pp e o encerramento do ciclo de aperto monetário”, afirma Oliveira. Ademais, explica ele, a taxa de juro real em torno de 7% ao ano está certamente acima do patamar neutro e, portanto, já contracionista.

“Vale dizer que os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação são cumulativos e se manifestam com defasagens. Julgamos que o aperto monetário, já implementado até aqui, somado à política fiscal contracionista do ministro Joaquim Levy deve, nos próximos meses, levar a uma rodada de redução das expectativas para a inflação ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, afirma o chefe do Departamento Econômico do Banco Fibra.

Póvoa e Oliveira fazem parte de um grupo diminuto de analistas que esperam pela desaceleração do ritmo de alta da Selic na próxima quarta-feira. De um total de 75 instituições financeiras consultadas pelo AE Projeções, serviço especializado da Agência Estado, apenas 11 acreditam que o Copom reduzirá para 0,25 pp o ritmo do aperto.

(Francisco Carlos de Assis – francisco.assis@estadao.com)