CANEPA: BC TERÁ DE MUDAR DISCURSO OU SUBIR JURO, O QUE SERIA TOTALMENTE INÚTIL (AE NEWS – 24/09/2015)

CANEPA: BC TERÁ DE MUDAR DISCURSO OU SUBIR JURO, O QUE SERIA TOTALMENTE INÚTIL (AE NEWS – 24/09/2015)


24/09/2015 09:51:54 – AE NEWS

CANEPA: BC TERÁ DE MUDAR DISCURSO OU SUBIR JURO, O QUE SERIA TOTALMENTE INÚTIL

São Paulo, 24/09/2015 – O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado há pouco pelo Banco Central é mais realista, mas ainda assim traz projeções otimistas, segundo o sócio-diretor da Canepa Asset Management, Alexandre Póvoa. Para ele, a autoridade monetária foi muito ambiciosa em se comprometer com uma inflação no centro da meta (4,5%) em 2016, após uma inflação perto de 9,5% este ano. Assim, será obrigada a mudar de discurso ou continuar subindo juros, o que seria totalmente inútil, na visão de Póvoa.

“O BC começou a cair na realidade, porque na última ata do Copom falava que a projeção de inflação para o ano que vem continuava perto de 4,5%, o que não era possível. Essa previsão nova de 5,3% é mais realista, já não é totalmente inacreditável”, comenta o sócio da Canepa, afirmando, porém, que nas contas dele o IPCA de 2016 ficará mais perto de 6%. Ele lembra que o câmbio usado pelo BC foi de R$ 3,90, sendo que nesta manhã o dólar já está na casa de R$ 4,20. “Mesmo que o pass-through seja baixo, de 5%, 10%, isso já muda a projeção para a inflação no ano que vem para 5,7%, 5,8%”, explica.

Póvoa diz que discorda da avaliação do BC de que a projeção de 5,3% não é um desvio significativo do centro da meta. “Isso é forçar um pouco a barra”, afirma. Para ele, a autoridade terá de mudar seu discurso de levar a inflação para 4,5% no ano que vem de qualquer jeito, ou será obrigada a continuar subindo juros, o que seria totalmente inútil no momento e só pioraria a situação da economia. “Não é culpa do BC. O fiscal tem um peso muito maior do que o monetário no momento, mas o objetivo de jogar inflação de 9,5% para 4,5% de um ano para o outro foi exagerado. O BC não colocou flexibilidade suficiente no discurso”, aponta.

O sócio da Canepa lembra que, como argumento de defesa, o BC poderia usar o discurso de que o estresse no câmbio é temporário. Por isso, o atual patamar não está sendo incorporado inteiramente nas projeções de inflação da instituição.

Para Póvoa, não seria indicado usar as reservas internacionais agora neste momento de pânico. “Se usar e der errado, acabou”. Ele lembra que, para isso, o BC teria de quebrar alguns paradigmas, porque vinha dizendo até agora que não está havendo saída de recursos do País e que as intervenções no câmbio são para prover liquidez para os agentes econômicos, e não alterar o patamar do dólar. “Seria uma ação perigosa, mas se o BC quer realmente mexer no câmbio neste momento, teria de ser com leilões fortes, grandes, com algo simbólico, como anunciar numa sexta-feira à noite um leilão de US$ 5 bilhões, US$ 10 bilhões para a semana seguinte”, opina. (Álvaro Campos – alvaro.campos@estadao.com)