A Bolsa e a frustração do ‘espírito animal’ de uma geração (Valor Econômico – 21/02/2017)

A Bolsa e a frustração do ‘espírito animal’ de uma geração (Valor Econômico – 21/02/2017)


Caros amigos,

 

Em uma viagem no tempo, mostramos as dificuldades de evolução da bolsa de valores no Brasil, assolada por um juro médio próximo a 10% a.a. desde a implementação do Plano Real (há 22 anos). Como em um ciclo vicioso, essa má performance do Ibovespa é reflexo de como o “espírito animal do ser humano” (investidor, empregado e empresas) foi tão maltratado nas últimas duas décadas.

 

Chegamos a 2017 com um constrangedor encolhimento do mercado de ações. A carruagem parece ter virado abóbora, após uma profunda recessão econômica acumulada de 7% em dois anos, inflação longe do centro da meta e erros crassos de politica econômica, tanto no campo fiscal como monetário. Indescritível decepção (e uma ponta de vergonha pelo erro de previsão) desse gestor em constatar que a participação de fundos de ações no bolo total, além de não ter evoluído para perto do padrão europeu, despencou para irrisórios 4% (!!!).  O número de empresas com ações negociadas em bolsa caiu sensivelmente para 349 empresas (entre aberturas e fechamentos de capital, em 22 anos, saldo líquido negativo de 200 companhias).  Já a indústria de fundos de pensão, em crise a partir de problemas de governança, investe hoje apenas 19% de seus recursos em ações (metade do nível comparativo ao início do Plano Real). Na realidade, a contração foi maior ainda, já que, removendo as maiores entidades ligadas à estatais da amostra, esse percentual não passa de 10% na maioria dos fundos de pensão. O aumento da capitalização do mercado para R$ 2,5 trilhões deve-se à valorização acima da inflação dos papéis remanescentes.

 

A mensagem final otimista: Sempre as análises de “atratividade da bolsa” contemplam somente o lado da oferta (precificação das ações: múltiplos, fluxos de caixa descontados e outros parâmetros comparativos entre preço e valor). Porém, independente da opinião se a bolsa está “cara ou barata”, um fato é inexorável: Nunca o potencial de crescimento da demanda por ações foi tão grande. Infelizmente, não pelos bons motivos. Chegamos ao fundo do poço histórico em termos de interesse por ações no país, o que pode ser um fator técnico importante para impulsionar fortemente o mercado bursátil nos próximos anos, se o país fizer o seu dever de casa corretamente.

 

Além do artigo, cujo um resumo foi publicado no Jornal Econômico, dentro do processo de crescimento da Canepa Asset, temos o orgulho de anunciar a chegada do economista Carlos de Carvalho Macedo Neto para chefiar nossa área macroeconômica. Carlos é bacharel e mestre em Economia pela PUC/RJ e foi sócio durante cinco anos (2011 – 2016) da Kyros Investimentos.

 

Leia a carta completa aqui: Canepa Asset Artigos – A Bolsa e a frustração do ‘espírito animal’ de uma geração (Valor Econômico – 21/02/2017)

 

Abraços,

 

Alexandre Póvoa